É fácil julgar o povo de Israel quando vemos as maravilhas que Deus realizou para libertar o povo. Lemos a história do Êxodo e pensamos: "Como eles puderam reclamar?
Eles viram as pragas no Egito, atravessaram o Mar Vermelho a pés enxutos e comiam maná que caía do céu todo dia! Se eu tivesse visto isso, eu jamais duvidaria."
Será mesmo?
Hebreus 3 nos dá um diagnóstico assustador sobre aquela geração: Eles não puderam entrar no descanso por causa da incredulidade.
Mas espere... eles acreditavam que Deus existia. Então, o que é essa "incredulidade" que a Bíblia condena tanto?
1. Incredulidade não é ateísmo, é cegueira.
O povo de Israel sabia que Deus era real, mas vivia como se Ele não fosse bom. A incredulidade bíblica não é dizer "Deus não existe".
É dizer "Deus não é suficiente". É não conseguir ver a mão de Deus no processo. É receber o milagre hoje e, diante da primeira dificuldade de amanhã, perguntar: "Será que Deus está mesmo entre nós?"
2. O vício nas "muletas".
No deserto, Deus tirou tudo o que era confortável para Israel. Tirou a comida do Egito, a água fácil, a estabilidade da escravidão.
Por que? Porque Deus queria tirar as "muletas" deles. Ele queria que o povo aprendesse a depender dEle, e não das circunstâncias.
Mas o coração incrédulo odeia a dependência. Ele prefere a segurança da escravidão (o Egito) do que a incerteza da liberdade com Deus.
3. O caminho perigoso para a Apostasia.
O que é Apostasia?
A palavra vem do grego apostasia (ἀποστασία), que significa literalmente "estar longe de", "desertar" ou "afastar-se".
No contexto bíblico e cristão, apostasia não é apenas cometer um pecado ou ter um momento de fraqueza.
É um abandono deliberado e consciente da fé. É quando alguém que conheceu a verdade, experimentou a graça e caminhou com Deus decide virar as costas e rejeitar tudo isso.
O texto de Hebreus nos dá um alerta grave: um coração que murmura e reclama não é apenas "chato". Ele está em perigo de apostasia.
A incredulidade endurece o coração. Começa com uma reclamação. Depois vira dúvida sobre o caráter de Deus.
E termina com o "apartar-se do Deus vivo". O coração rebelde não acontece da noite para o dia; é um processo lento de ignorar a voz de Deus no "Hoje".
O Convite para o Hoje
O deserto não era para matar Israel, era para amadurecê-los. Era o lugar de transformar escravos em filhos. Mas eles reprovaram no teste porque focaram na areia, e não na Promessa.
E nós? Quantas vezes Deus já nos livrou, e na primeira segunda-feira difícil, agimos como se estivéssemos sozinhas?
Que hoje, "enquanto se diz Hoje", você possa fazer diferente. Não endureça o seu coração. Olhe para a dificuldade e diga: "Eu não estou vendo a saída, mas eu conheço Quem abriu o mar. E isso basta."
Com carinho,
Sara.
Obrigada por ler até aqui e até a próxima. 🌹
